31.3.09
31 DE MARÇO DE 1964
Há quarenta e cinco anos atrás, ocorria no Brasil o início de um período de sua história que seria conhecido como “ditadura” ou “golpe militar”. No dia 31 de março de 1964, forças militares assumiram o controle da nação. Ao contrário do que estamos acostumados a ler e ouvir sobre aquele período, que se estendeu até o ano de 1985, não ocorreu um golpe militar, nem tampouco uma ditadura. A razão dos militares terem tomado o controle do país foi a manutenção do regime democrático, seriamente ameaçado no Brasil. Analisar este fato isolando-o do contexto histórico mundial além de ser uma manipulação proposital da história é a prova mais cabal da qualidade de nossos historiadores e jornalistas.
Para entendermos o porquê deste movimento, temos que analisar o que ocorria com o mundo naquele período e suas implicações em terras verde-amarelas. Vivíamos a chamada guerra fria, um período onde duas correntes antagônicas buscavam o domínio do globo: De um lado, o capitalismo, capitaneado pelos EUA. Do outro, o comunismo, liderado pela URSS. Para que nosso país não caísse nas mãos dos comunistas, cujo regime MATOU 100 MILHÕES DE PESSOAS nos diversos países em que este se sagrou vitorioso, a participação das Forças Armadas foi fundamental. Como estratégia mundial, a internacional comunista tinha no Brasil um país alvo, cuja importância era relevante para a conquista da América Latina. Foi por este motivo que ainda nas décadas de 1920 – 1930, os bolcheviques infiltraram seus agentes dentro de diversos setores da sociedade, especialmente na política, com a criação do PCB, Partido Comunista Brasileiro, e do financiamento do mesmo. Além disto, o recrutamento de simpatizantes da causa fez com que o discurso sedutor de uma sociedade igualitária fosse seduzindo cada vez mais a classe dita intelectual brasileira, especialmente a universitária. É neste período que a agente Russa, conhecida no Brasil conhecida como Olga Benário, foi designada para proteger Prestes, e colocar em ação o plano para a tomada do poder pelos comunistas no Brasil. Evidentemente, ao longo de todo o período 64-85, eles não foram os únicos a tentarem impor ao país um regime vermelho. Leonel Brizola e José Dirceu que o digam! Treinados em Cuba, também tinham e tem o objetivo permanente de fazer o comunismo uma realidade para “acabar com as injustiças do sistema capitalista”.
Para tentar impor ao país o regime comunista, seus militantes agem basicamente de três maneiras, inspirados pelas três experiências mais relevantes. São elas, a URRS, a China e Cuba. Conseqüentemente, a maneira com a qual as diversas tendências atuam é diferenciada. Na primeira, o exemplo russo, o objetivo é introduzir no seio da classe trabalhadora, incluindo as Forças Armadas, a insatisfação com os patrões e a organização dos trabalhadores em sindicatos com o objetivo de desestabilizar o sistema produtivo e conseqüentemente a organização das massas, incutindo em suas cabeças que o poder deve ser passado para o proletariado, através de uma ditadura popular, onde não haveriam patrões e nem empregados. No âmbito militar, a idéia era acabar com a hierarquia e a disciplina, fazendo com que soldados, cabos e sargentos se rebelassem contra os oficiais das patentes mais altas. Neste caso o objetivo era assumir o controle dos aquartelamentos e a quebra da espinha dorsal das Forças Armadas, fazendo com que estas não pudessem ser mobilizadas contra os militantes. No exemplo chinês, a idéia é o recrutamento e a formação de um exército popular de libertação, principalmente através dos agricultores, tal qual foi a Revolução Chinesa. Com a instabilidade no meio rural, a produção de alimentos seria prejudicada e a segurança nacional comprometida. Através da luta armada, então, os militantes tomariam o poder, e imporiam a sua ditadura popular. No exemplo cubano, a tomada do poder ocorreria através de ações de terrorismo, coordenadas a partir de zonas ermas do território nacional. Da mesma maneira que as demais, a utilização de pessoal recrutado com as maravilhosas promessas da igualdade para todos, a desestabilização do país serviria de plano de fundo para a ascensão ao poder dos comunistas, com a promessa de resolver todos os problemas nacionais.
Além destas ações, o recrutamento de artistas e intelectuais para a causa legitimaria o governo, fazendo com que nosso país caísse nas mãos daqueles que assassinaram dezenas de milhões de pessoas ao redor do globo. Era evidente que a sociedade brasileira estava desconfiada de que sua segurança estava prejudicada. Afinal, ataques a bomba e invasões de terras ocorriam sistematicamente, além de casos como a Intentona Comunista, que espalhou o terror e o medo na população através de ações de seqüestros, estupros e assaltos contra pessoas e estabelecimentos comerciais. Era neste tipo de coisas que nossos “estudantes” estavam preocupados em fazer, e não em lutar contra a “cruel ditadura”.
Era esta, muito resumidamente, a conjuntura internacional e nacional que vivíamos. Estávamos sim em plena luta contra a comunização do Brasil. Isto era algo que a esmagadora maioria da população não queria.
Foi durante o governo do fraco João Goulart que os ânimos começaram a se acirrar. Com suas reformas de bases, que atingiriam a agricultura, a educação a indústria e a propriedade, ficava claro que este presidente estava começando a preparar o caminho para o pior. Sua visita à China deixou ainda maiores suspeitas sobre suas reais intenções para com o país. Seu cunhado, Leonel Brizola, já estava organizando os seus “homens”, em pequenos grupos, para tentar desestabilizar a segurança nacional. Com diversas manobras políticas parecia que estávamos mesmo caminhando para o inevitável. Os atentados a bomba, a crise no setor de produção, greves em massa, seqüestros etc., levaram a sociedade brasileira a seu limite, fazendo com que ela se voltasse para o Exército Brasileiro com o objetivo de evitar que suas bases fossem destruídas. Pressionado pela população e pela imprensa, os militares não tiveram outra escolha que não a intervenção na política nacional, salvando o país de uma verdadeira ditadura. O objetivo era a devolução do poder às mãos dos civis, mas tal fato não se concretizou, porque os derrotados da revolução sem sangue continuaram nas suas ações terroristas iniciadas com o atentado a bomba no aeroporto de Guararapes, em 1966. Foi este o início da luta armada no governo militar, o que obrigou a edição do famigerado AI-5. Este nada mais foi do que uma reação contra a violência crescente e possibilitou ao exército a vitória sobre os terroristas da esquerda.
Infelizmente, esqueceram de combater na guerra cultural. O resultado é que, além de serem difamados por todos os setores formadores de opinião, vítimas e colaboradores de uma das maiores falsificações da história que se tem notícia no mundo, a revolução passa como ditadura, e aqueles que mataram, estupraram, seqüestraram e roubaram, passem de terroristas a pobres estudantes defendendo a liberdade.
Mas a culpa disto é exclusivamente dos próprios militares que se calaram sobre o ocorrido e deixaram que Figueiredo e Geisel assumissem a presidência do país. Mas isto já é outra história…


criado por leniltonmorato
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