21.9.08
Distorcendo o Ideal Farroupilha
Durante as comemorações de mais um aniversário da Guerra dos Farrapos, a revolta provinciana mais duradoura do império brasileiro, muitas falsificações são lançadas sobre a revolta. A mais comum é a de considerar a revolução como popular, quando na verdade ela foi conservadora e teve como principais líderes ricos fazendeiros, que hoje seriam chamados de burgueses por partidos como o PT, PSol, PSTU e PCO, e entidades como a UNE. O mais intrigante aspecto a se considerar é que a revolta da elite foi tomando a população gaúcha e ganhando dela uma grande simpatia. Ao contrário do que alardeiam os líderes da esquerda, os revoltosos não queriam a independência da província, apenas formas mais justas de cobranças dos impostos sobre o principal produto dos pampas: o charque. Ao não conseguirem resultados, aí sim a revolução partiu para independência, que na verdade foi reprovada por Bento Gonçalves quando este soube que o general Neto havia proclamado a república rio-grandense.
Ignorando completamente estes fatos, muitos militantes da esquerda têm usado a revolução farroupilha como uma bandeira para que o povo se levante contra o imperialismo ianque e parta de vez para as glorias do socialismo, onde a população vai viver feliz para sempre fora das amarras impostas pelos malvados empresários. Esquecem, no entanto, que estes empresários são os responsáveis por quase toda a riqueza gerada nas terras meridionais brasileiras. Que são eles, junto com os agricultores latifundiários, os responsáveis por movimentar a economia do Rio Grande.
Hoje em dia, vivemos situação semelhante à ocorrida no longínquo ano de 1835. Nossos produtos são pesadamente taxados, a União centraliza quase todos os impostos recolhidos pelo estado e com seu apetite voraz suga a medula óssea de todos os estados da federação. E os gaúchos, ditos herdeiros das tradições farroupilhas que fazem? Nada. Ficam embriagados com os lucros gerados por suas empresas sem perceberem a gigantesca carga tributária que se abate sobre nossos produtos. A população anestesiada nada pode fazer, pois não possui a informação necessária para contrapor-se à verdadeira escravidão cultural e política que vive. A elite de outrora não deixou herdeiros para o futuro. Não temos hoje um Bento Gonçalves capaz de se levantar contra a tirania do estado brasileiro, tirania esta que atinge todos os membros da “federação”. Uns dirão que Jorge Gerdal poderia ser o Bento Gonçalves do século XXI. Mas o que se pode esperar de uma criatura que doou 100 mil reais para a campanha da comunista Luciana Genro?
A verdade é nua e cruel. A revolução cultural da desinformação, que assola nosso jornalismo, nossas universidades e nossa política, mostra a cada 20 de setembro os seus tentáculos mais profundos, pois conseguiu inverter completamente o que foi a Revolução Farroupilha, sob os aplausos calorosos dos acadêmicos, jornalistas e tradicionalistas. Não basta apenas pilcha, montaria e um desfile para que se observe o que significou esta guerra. É preciso muito mais do que isto. É preciso se desatar das amarras da lavagem cerebral conduzida magistralmente pela esquerda em nossas faculdades e veículos de (des)informação.
Infelizmente, enquanto seres como Tarso Genro, Manuela D’Ávila, Luciana Genro, Olívio Dutra e Maria do Rosário dentre outros continuarem sendo considerados como exemplo de políticos e pessoas, estamos fadados mesmo a sermos rebeldes sem causa, ou pior, rebeldes pela causa errada.
Será que Bento Gonçalves ficaria de braços cruzados diante do centralismo da União?


criado por leniltonmorato
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