13.10.07
O Câncer e a Criminalidade
Já faz algum tempo que eu espero para explorar o assunto deste post. Até tive vontade de fazê-lo antes, mas a espera pelo filme Tropa de Elite me fez aguardar algum tempo para, finalmente, fazer uma analogia entre o câncer e a criminalidade, já aproveitando para comentar o filme.
Aparentemente, uma coisa não tem qualquer ligação com a outra. Afinal, uma é mazela brasileira ligada à esfera criminal, social e antropológica. A outra se liga com a medicina, a biologia, a genética e até mesmo ao comportamento e a nutrição. Que teriam então em comum a violência e o câncer?
Primeiramente, analisemos o câncer. Esta doença é geralmente resultado de predisposição genética, maus hábitos de vida, e caracteriza-se, resumidamente, numa anomalia que ocorre dentro do organismo em células do próprio corpo. Primeiramente, uma pequena porção de tecido humano sofre algum tipo de anomalia genética e passa a se multiplicar indefinidamente, o que acaba prejudicando o funcionamento de todo o corpo. Sendo desta forma, o sistema imunológico não consegue identificar a ameaça, e o câncer acaba espalhando-se pelo corpo, num processo chamado de metástase, que fatalmente acaba por levar o organismo à falência. É um processo que ocorre em células do próprio corpo, com alguma participação de elementos externos, mas que pode ser prevenido e combatido.
E como se previne e combate o câncer? A prevenção se dá através de hábitos saudáveis, de um acompanhamento regular de qualquer anomalia verificada em exames de diagnósticos, de uma boa alimentação. Com estas atitudes e a diagnose precoce da doença ela é facilmente eliminada do organismo, as vezes sendo necessárias apenas cirurgias pontuais. Entretanto, se a prevenção falha é necessária a utilização de técnicas agressivas como a quimioterapia e a radioterapia. Quando o câncer está em estado avançado, de nada adianta a prevenção. As atitudes preventivas ao câncer são totalmente inócuas quando a doença está em estágio avançado, especialmente a metástase. E, naturalmente, com a utilização da quimioterapia e da radioterapia, células boas irão morrer.
E qual é a relação ou o paralelo da violência com isto? Bem, a violência, a criminalidade é resultado, resumidamente, de maus hábitos sociais, e de falta de políticas sérias especialmente na educação. São integrantes da sociedade que se voltam contra a sociedade. Primeiramente, uma pequena porção desta sociedade sofre um acelerado processo de abandono e pouco a pouco, o pensamento criminoso vai se espalhando pelo organismo social até que, finalmente, o leva à sua implosão. É um processo que ocorre com integrantes da própria sociedade, contra ela e com alguma participação de elementos externos, mas pode ser prevenido e combatido.
Então, como se previne e combate a criminalidade? Inicialmente, para prevenir o organismo social da violência é necessário o investimento maciço em educação, postos de trabalho, cultura, saúde e assistência social. Não é distribuindo bolsa-família e bolsas - qualquer coisa que se previne a criminalidade. É um processo de responsabilidade da família e do Estado. Da mesma forma que o câncer, quando é localizado um foco de criminalidade este pode ser facilmente eliminado pela ação da polícia de maneira pontual e eficiente. Estas ações, aliadas cm políticas verdadeiramente comprometidas em proporcionar à população educação, segurança e emprego fazem com que a violência e a criminalidade tenham tendência a diminuir drasticamente se não desaparecer. Entretanto, quando a violência e a criminalidade já estão infiltradas na cultura de determinada sociedade, impregnada nos mecanismos do Estado num verdadeiro processo de “metástase”, de nada adiantará as ações preventivas. Se faz necessária a utilização de medidas corretivas, o emprego da força e a utilização de equipes policiais especiais, treinadas e preparadas para uma verdadeira guerra. É exatamente neste estágio que o Brasil encontra-se. Nossa criminalidade está em “metástase” espalhando-se por todos os graus da sociedade. Para combatê-la, infelizmente, indivíduos e grupos sadios vão morrer, vão parecer. È o preço que se pega pela negligência do Estado ao não fazer a prevenção.
É precisamente neste contexto que se passa o filme “Tropa de Elite”. Certamente é um filme que causará muito desconforto na esquerda brasileira. É um grupo de policiais de elite lutando contra a “metástase” da criminalidade. Nele, criminosos são criminosos, policiais honestos são honestos, corruptos são corruptos e universitários são universitários. Naturalmente o mal-estar da esquerda é completamente compreensível, pois o filme vai de encontro a tudo o que eles ensinam nas escolas.
Ao retratar o traficante criminoso como um sujeito implacável, com sede de sangue e poder, desmistifica-se aquela imagem que o esquerdista “Cidade de Deus” deixou ao tratar estes mesmos agentes como pobres criaturinhas. Da mesma maneira, retratando o dia-dia estressante dos policiais do BOPE, também cai por terra a afirmação, dita inclusive numa cena de uma aula da faculdade de direito do próprio filme, de que todo o policial é corrupto. Logicamente, ao tratar dos policiais corruptos, expõe a ferida da nossa polícia, que naturalmente estende-se à política, porque não são poucos os governadores, deputados, senadores e juízes que recebem dinheiro do tráfico.
De todas as cenas do filme, certamente o retrato que é dado de nossa camada estudantil universitária seja o mais fiel de todos. Alunos viciados, que alimentam o tráfico, que se envolvem com o tráfico e que depois vão defender ONGs pelos direitos humanos da população, ou seja, a chamada “consciência social”. Fica evidente o grau da lavagem cerebral que é feita nestes alunos, que vem, aliás, desde o primário, onde os criminosos são, para os estudantes, pobres vítimas da sociedade malvada. É evidente o grau de alienação de nossos estudantes, que marcham em passeata pela morte de um traficante, de um filho de empresário, mas ignoram por completo a morte de um policial.
É meus amigos, se virem alguma crítica que não recomende este filme ignore-a. Certamente é de um esquerdista que não admite ter o seu território invadido por idéias conservadoras, ou seja, de direita.


criado por leniltonmorato
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